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FESTA DA LUZ

Realizada junto a Rafael Maia e Flávia Péret para a Festa da Luz de 2026, a obra Eco teve como ponto de partida a pesquisa Horizonte Tipográfico, de Rafael Maia: um inventário de letreiros históricos inscritos em fachadas do hipercentro de Belo Horizonte entre 1932 e 1942. A idéia era partir da amostra recolhida na pesquisa para criar um poema visual que ocupasse o edifício Chagas Dórias — edifício que, coincidentemente, é também o marco inaugural do recorte da pesquisa.

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Em uma primeira etapa, vários letreiros de fachadas históricas de Belo Horizonte foram vetorizados — a sua maioria no estilo Art Decò, predominante na época da pesquisa. As letras vetorizadas formaram um repertório-base sobre o qual nos debruçamos para embaralhar e reconfigurar as letras até que pudéssemos chegar em um resultado que funcionasse no conceito, na apresentação, no orçamento, e no prazo.

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Enquanto Rafael e eu trabalhávamos no layout do que seria o nosso poema visual, a Flávia Péret trabalhou no texto: “Escutar na língua do outro o eco de uma mesma voz”.

A partir do repertório construído, começamos a misturar letras e formar palavras para testar diferentes formas de como o poema poderia ocupar a fachada do prédio. Foi entre uma reunião e uma diagramação que percebemos que bastavam poucas letras para que o poema funcionasse tanto no espanhol quanto no português: “Escuchar en la lengua del otro el eco di una misma voz”.

Em sua versão bilíngüe, o poema visual acabou ganhando mais força e mais coerência com o tema do evento — América Latina. Disposto ao longo das fachadas lateral e frontal do Edifício Chagas Dória, sua configuração visual permite ainda a possibilidade de diferentes modos de leitura.

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O poema parte do entendimento de voz como gesto de enunciação, memória, identidade, pertencimento e experiência coletiva para explorar o fato de que, mesmo diante das diferenças linguísticas, persistem na América Latina, ecos de histórias compartilhadas. Como bem disse Ferreira Gular: nós, latino-americanos, somos irmãos não pelo sangue que no corpo levamos, mas pelo modo como o derramamos.

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FICHA TÉCNICA

Autoria: Flávia Péret, Gabriel Figueiredo, Rafael Maia
Coordenação de arquitetura: Bel Diniz
Arquiteta colaboradora: Cacau Lustosa
Confecção de letreiros: ArtWork
Montagem: Dário Caldeira
Coordenação de produção: Roberta Azevedo
Direção artística: Dalila Bastos, Híbrido e Juliana Flores
Realização: Associação Cultural Casinha, Dalila Bastos, Híbrido e Pública
Fotos: Cadu Passos (header) e Yuji Kodato